Clássicos Chevrolet Opala SS trouxe esportividade no motor 4.1 e no visual

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Opala SS, modelo 1976 da Chevrolet, testado pela revista Quatro Rodas.
Marco de Bari/Quatro Rodas

Publicado originalmente na Coleção Grandes Brasileiros, 2014

Ele já fazia relativo sucesso desde o fim dos anos 60. Mas foi a partir da virada da década que o Opala ganhou aceleração – literalmente. Na edição de dezembro de 1970, QUATRO RODAS trouxe o teste da versão esportiva, a tão aguardada SS. A sigla identificava uma das novidades do carro, os bancos dianteiros individuais (separated seats), característica normalmente reservada aos carros mais “bravos”.

Por fora, o Opala SS se destacava pelas faixas pretas na carroceria, além da inscrição “4100” – que identificava o motor de seis cilindros mais potente. Enquanto o 3800 (também de seis cilindros) rendia 125 cv, o 4100 esbanjava 138 cv. Com câmbio de quatro marchas no assoalho, o modelo chegou a 170 km/h de máxima.

E a reportagem dizia que ele parava tão bem quanto andava, graças a outra novidade do modelo: os discos de freio na dianteira. O Opala esportivo custava Cr$ 28.900, bem mais que o modelo básico, de quatro cilindros, que saía por Cr$ 18.990.

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Opala SS, modelo 1976 da Chevrolet, testado pela revista Quatro Rodas.
Marco de Bari/Quatro Rodas

O motor 4100 era uma evolução do 3800. Na prática, tinha um novo virabrequim, e o curso dos pistões aumentou. Foi o suficiente para o carro ficar bem mais bravo. No teste, fez 0 a 100 km/h em 12,8 segundos. No geral, o modelo causou boa impressão, a não ser pela tendência a superaquecimento do motor, em situações prolongadas de alta velocidade. Uma das suspeitas da equipe recaiu sobre o radiador: “Achamos que para o 4100 seria necessário um radiador maior”.

Embora o motor 4100 tenha marcado a estreia do SS, ele também podia equipar a versão luxuosa, Gran Luxo. Este trazia acabamento melhor, teto de vinil e ainda uma opção mais econômica, o 2500 de quatro cilindros. O câmbio de três marchas tinha alavanca na coluna. E os freios dianteiros também receberam discos.

Na edição de março de 1971, QUATRO RODAS colocou seis carros nacionais à disposição do chefe da Lotus, Colin Chapman, e de seu melhor piloto, Emerson Fittipaldi. Pois o Opala SS 4100 foi a escolha de Chapman: “Se tivesse de comprar um carro no Brasil, escolheria esse, por seu estilo simpático e bom desempenho”. A lista tinha modelos como Ford Landau e Puma 1800.

Interior do Opala SS, modelo 1976 da Chevrolet, testado pela revista Quatro Rodas.
Marco de Bari/Quatro Rodas

Embora tenha sido seu escolhido, o Opala pregou uma peça no chefe de Emerson na Lotus: no fim da reta de Interlagos, com o velocímetro marcando 170 km/h, Chapman apertou o freio e o carro não respondeu, e só funcionou depois de algumas pisadas seguidas. Ele atribuiu a falha a algum problema na montagem do sistema e deu um puxão de orelha no fabricante: “Ele acelera muito bem, é macio, veloz e estável. Mas os fabricantes devem tomar mais cuidado na montagem do freio”.

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Ainda em 1971, algumas novidades que chegaram com o SS passaram a ser empregadas no Opala 2500 e no 3800, caso do câmbio de quatro marchas com alavanca no assoalho, bancos dianteiros individuais e freios a disco na frente. Porém, o fato mais importante foi a chegada do Opala cupê. O visual foi elogiado, mas o senão era a visibilidade prejudicada, por causa das colunas traseiras mais largas.

Três anos depois, na linha 74, a Chevrolet apresentou o SS4, uma versão esportiva do Opala com motor 2.5 de quatro cilindros, conhecido como 151-S. O visual, com as faixas externas, era o mesmo do SS 4100, mas o desempenho, como era de esperar, ficou bem aquém do irmão mais forte.

Janela traseira do Opala SS, modelo 1976 da Chevrolet, testado pela revista Quatro Rodas.
Marco de Bari/Quatro Rodas

O trunfo, no entanto, era o preço: o Opala SS4 chegava por Cr$ 32.770, preço muito próximo ao do Corcel GT (Cr$ 31.012), sendo que o modelo da Ford era bem menor que o Chevrolet. O Opala SS4 rendia 98 cv, 8 cv a mais que o 2500 normal, graças à adoção do carburador duplo. No teste, fez 0 a 100 km/h em 18,2 segundos e alcançou 155 km/h de máxima.

Mais dois anos, e em 1976 foi a vez de a montadora apresentar o motor batizado de 250-S. No teste, ele chegou a 190 km/h e foi considerado pela QUATRO RODAS o mais veloz automóvel nacional. E a história continuou. O Opala ainda seria produzido durante toda a década de 80 e só sairia de linha em 1992, quando a Chevrolet lançou o Omega.

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Dezembro de 1970

“É agradável dirigir o Opala, apesar de não haver posição ideal para o motorista, no banco inteiriço (…). Poderia ser mais baixo e ter rodas mais largas. Talvez isso melhorasse sua tendência a sair de frente, quando a gente entra muito quente nas curvas (…). Aquelas faixas pretas pintadas nos lados e no cofre do motor dão ao carro um jeito agressivo que não combina com as quatro portas (…). O acabamento é bom, mas (…) entrou água pelos quebra-ventos e pela parte superior dos vidros (…). Nos carros que testamos havia luzes queimadas.”

Chevrolet Opala SS  – Teste de dezembro de 1970

Aceleração de 0 a 100 km/h – 12,8 s
Velocidade máxima – 170 km/h
Frenagem 80 km/h a 0 – 25,1 m
Consumo – 5,2 a 6,8 km/l (médio)

Preço

Janeiro de 1971 – Cr$ 28.900
Atualizado – R$ 189.471 (IGP-DI/FGV, agosto de 2020)

Ficha técnica

Motor: dianteiro, longitudinal, 6 cilindros em linha, 4.100 cm3; Diâmetro x curso: 98,4 x 92,2 mm; Taxa de compressão: 7,0:1
Potência: 138 cv a 4 000 rpm
Torque: 29 mkgf a 2 400 rpm
Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira
Dimensões: comprimento, 457 cm; largura, 176 cm; altura, 138 cm; entre-eixos, 267 cm; peso, 1 125 kg
Suspensão: dianteira, independente; traseira, eixo rígido
Freios: discos na frente; tambores atrás





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